Nova revisão científica aponta que a mudança sazonal dos relógios interfere no relógio biológico e pode intensificar sintomas de depressão, ansiedade, transtorno bipolar e outras condições psiquiátricas.
(Imagem-gerada-por-IA-relógios-Créditos:Image-fx)O debate sobre os impactos do horário de verão voltou ao centro das discussões científicas após uma ampla revisão de estudos indicar que a prática pode representar riscos significativos para a saúde mental.
Pesquisadores reuniram evidências de dezenas de trabalhos acadêmicos e concluíram que a alteração semestral dos relógios afeta o ritmo biológico humano, especialmente em pessoas que convivem com transtornos psiquiátricos.
As conclusões surgem em um momento em que cresce a pressão, principalmente nos Estados Unidos, para encerrar definitivamente a adoção do horário de verão, medida que já foi abandonada por diversos países ao redor do mundo.
Como a mudança de horário afeta o organismo
O horário de verão foi criado com o objetivo de aproveitar melhor a luz natural durante os meses mais claros do ano. Atualmente, mais de 70 países ainda adotam algum tipo de ajuste sazonal dos relógios.
No entanto, pesquisas acumuladas ao longo dos últimos anos mostram que adiantar ou atrasar o relógio em uma hora pode causar alterações relevantes no funcionamento do organismo.
Isso acontece porque o corpo humano opera de acordo com ritmos circadianos, mecanismos biológicos que regulam o sono, o humor, a atenção e diversos processos fisiológicos.
Segundo a nova revisão científica, conduzida por pesquisadores ligados à Universidade Estadual do Novo México (NMSU), mesmo uma alteração aparentemente pequena no horário pode gerar um desequilíbrio temporário no relógio biológico, funcionando como um fator de estresse para milhões de pessoas.
Revisão analisou 60 estudos sobre saúde mental e horário de verão
Para compreender melhor os efeitos da mudança de horário, os pesquisadores analisaram 60 estudos realizados em diferentes países e áreas do conhecimento, incluindo psiquiatria, neurociência e saúde pública.
A avaliação identificou um padrão consistente: os dias e semanas que seguem a transição para o horário de verão costumam estar associados a piora do sono, dificuldades cognitivas e maior vulnerabilidade emocional.
Os cientistas observaram que indivíduos diagnosticados com depressão, transtorno bipolar, transtornos de ansiedade, transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtornos psicóticos apresentam risco mais elevado de sofrer consequências negativas após a mudança dos relógios.
Impactos observados pelos pesquisadores
De acordo com a revisão publicada na revista científica Brain Sciences, os efeitos mais frequentemente relatados incluem:
- Maior dificuldade para dormir e manter um sono reparador;
- Redução da atenção e da capacidade de concentração;
- Prejuízos na memória de trabalho;
- Aumento da instabilidade emocional;
- Intensificação de sintomas depressivos;
- Maior risco de episódios maníacos em pessoas com transtorno bipolar.
Os pesquisadores destacam que o cérebro não consegue se adaptar instantaneamente à alteração do horário, mesmo quando a mudança corresponde a apenas uma hora.
Especialistas defendem novas estratégias de prevenção
Diante das evidências encontradas, os autores sugerem que profissionais da saúde passem a considerar as transições do horário de verão como períodos de atenção especial para pacientes com transtornos mentais.
Uma das recomendações é que os horários de sono sejam ajustados gradualmente alguns dias antes da mudança oficial dos relógios.
Outra estratégia apontada pelos especialistas envolve a exposição à luz natural nas primeiras horas da manhã, prática que pode ajudar o organismo a sincronizar novamente seus ritmos biológicos.
Segundo os pesquisadores, medidas preventivas simples podem reduzir os impactos negativos observados durante essas transições e evitar o agravamento de sintomas em pessoas mais vulneráveis.
Horário padrão permanente ganha força entre especialistas
Além das recomendações clínicas, a revisão reforça um posicionamento que vem ganhando espaço na comunidade científica: a adoção permanente do horário padrão.
Os autores argumentam que o horário padrão está mais alinhado ao ciclo natural de luz solar, especialmente durante as manhãs, favorecendo um funcionamento mais adequado do relógio biológico humano.
Especialistas também destacam que os benefícios econômicos tradicionalmente atribuídos ao horário de verão vêm sendo cada vez mais questionados.
Paralelamente, estudos anteriores já associaram as mudanças de horário a um aumento de acidentes de trânsito, lesões ocupacionais e determinados problemas cardiovasculares.
Para os pesquisadores envolvidos na revisão, a continuidade da prática pode representar custos sociais e de saúde pública superiores aos possíveis benefícios originalmente propostos.
A nova análise científica reforça a crescente preocupação com os efeitos do horário de verão sobre a saúde mental.
Embora a mudança de apenas uma hora pareça pequena, as evidências indicam que ela pode provocar alterações significativas no sono, no humor e no funcionamento cognitivo, especialmente em pessoas que já convivem com transtornos psiquiátricos.
Com o avanço das pesquisas sobre ritmos circadianos e bem-estar mental, especialistas defendem que governos e autoridades de saúde reavaliem a necessidade de manter uma prática que, segundo os dados atuais, pode trazer mais prejuízos do que benefícios para parte da população.
Você acredita que o horário de verão deveria ser abolido definitivamente ou ainda oferece vantagens que justificam sua manutenção?
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Fontes: independent Brain Sciences (2026); Universidade Estadual do Novo México (NMSU); Universidade de Nevada, Las Vegas (UNLV).



