Fósseis revelam que um polvo pré-histórico do tamanho de uma baleia dominava os mares há milhões de anos
Imagem-Ilustração-Créditos: labs/image-fxDurante décadas, os maiores predadores dos mares pré-históricos eram associados a répteis marinhos gigantes, tubarões ancestrais e criaturas temidas do período dos dinossauros.
Agora, uma descoberta científica está mudando essa visão: fósseis indicam que um polvo gigante de até 19 metros de comprimento pode ter ocupado o topo da cadeia alimentar nos oceanos do Cretáceo.
Batizada de Nanaimoteuthis haggarti, a espécie viveu entre aproximadamente 86 e 72 milhões de anos atrás e é considerada uma das criaturas mais impressionantes já identificadas entre os invertebrados marinhos.
O polvo gigante que rivalizava com baleias modernas
As estimativas apontam que esse animal poderia alcançar 18,6 a 19 metros de comprimento total, tamanho comparável ao de uma baleia-cachalote moderna.
Para efeito de comparação, isso supera facilmente o maior polvo vivo da atualidade.
Hoje, o maior polvo conhecido é o polvo-gigante-do-Pacífico, que apesar de impressionante, fica muito abaixo das proporções atribuídas ao Nanaimoteuthis haggarti.
Essa descoberta coloca o animal entre os candidatos a maior invertebrado marinho já registrado, competindo até mesmo com lulas gigantes.
Como os cientistas descobriram esse monstro marinho?
Polvos possuem corpos moles, o que dificulta enormemente a fossilização. Por isso, restos completos são extremamente raros.
O que os pesquisadores encontraram foram mandíbulas fossilizadas, conhecidas como bicos, partes rígidas semelhantes ao bico de um papagaio.
Esses fósseis foram reavaliados por cientistas da Universidade de Hokkaido, no Japão, com auxílio de modelagem digital e análise tridimensional.
A partir do tamanho dessas estruturas, os especialistas compararam proporções com espécies modernas e calcularam o tamanho aproximado do animal.
Predador supremo dos oceanos do Cretáceo
Os sinais de desgaste encontrados nos bicos fossilizados sugerem que esse polvo gigante se alimentava de presas duras, como peixes ósseos, moluscos e possivelmente animais maiores.
Seu bico poderoso teria capacidade para esmagar carapaças e ossos, enquanto os longos braços serviriam para capturar e imobilizar as vítimas.
Isso reforça a hipótese de que o animal ocupava o papel de predador de topo no oceano pré-histórico.
Na mesma época, os mares também eram habitados por mosassauros, plesiossauros e grandes tubarões. A presença de um polvo desse porte mostra que os invertebrados também dominaram esse ecossistema.
O “Kraken real” existiu?
A imagem de uma criatura colossal de múltiplos tentáculos lembra imediatamente a lenda do Kraken, monstro marinho famoso em histórias nórdicas.
Embora o Nanaimoteuthis haggarti não seja o Kraken mitológico, ele provavelmente foi o exemplo mais próximo de um Kraken da vida real já identificado pela ciência.
Imagine cruzar os mares do Cretáceo sabendo que, nas profundezas, havia um polvo do tamanho de uma baleia esperando a próxima presa.
Por que essa descoberta é tão importante?
A descoberta revoluciona a forma como os cientistas entendem a evolução dos polvos e a história dos oceanos.
Até pouco tempo, acreditava-se que os grandes predadores marinhos daquela era eram quase exclusivamente vertebrados.
Agora, evidências mostram que cefalópodes gigantes também tiveram papel central nesse equilíbrio ecológico.
Além disso, como o registro fóssil dos polvos é escasso, novas descobertas podem revelar espécies ainda maiores ou mais surpreendentes no futuro.
O que mais pode estar escondido nos mares antigos?
Se um polvo de 19 metros só foi identificado agora a partir de mandíbulas fossilizadas, quantas outras criaturas gigantescas ainda aguardam para serem descobertas sob rochas de milhões de anos?
Fonte: Science.org Dailymail



