Empresa que trabalha no retorno do mamute-lanoso agora aposta em tecnologia de desextinção para recriar o raro antílope-azul da África do Sul
(Imagem ilustrativa/Gerada por IA/Créditos:Image-fx)A empresa de biotecnologia Colossal Biosciences anunciou um novo projeto ambicioso voltado à chamada desextinção animal.
Depois de ganhar notoriedade internacional por pesquisas relacionadas ao retorno do mamute-lanoso, a companhia agora pretende recriar o antílope-azul, espécie extinta há cerca de 230 anos no sul da África.
Conhecido por sua rara pelagem azul-acinzentada, o animal desapareceu no início do século XIX após intensa caça humana.
O antílope-azul é considerado um marco histórico da extinção causada pelo homem, já que foi uma das primeiras espécies registradas cientificamente a desaparecer devido à atividade humana moderna.
Antílope-azul desapareceu pouco depois de ser documentado pela ciência
O antílope-azul habitava regiões de pradarias no sudoeste da atual África do Sul e desempenhava papel importante no equilíbrio ecológico local durante milhares de anos.
Estima-se que o último exemplar tenha sido morto por volta de 1800, apenas algumas décadas após os primeiros registros científicos da espécie.
Fisicamente, o animal media cerca de 1,20 metro de altura e possuía grandes chifres curvados que podiam atingir aproximadamente 65 centímetros.
Agora, pesquisadores da Colossal Biosciences pretendem utilizar técnicas modernas de edição genética para desenvolver um híbrido com características semelhantes às do animal extinto.
Projeto usa DNA antigo e engenharia genética avançada
Para iniciar o processo, cientistas reconstruíram o genoma do antílope-azul a partir de um espécime histórico preservado no Museu Sueco de História Natural.
O DNA recuperado foi comparado ao material genético de espécies vivas próximas, especialmente os antílopes ruão e sable.
A partir dessa análise, os pesquisadores identificaram genes associados à coloração azulada da pelagem, ao tamanho reduzido e às marcas faciais características da espécie extinta.
Segundo a empresa, o próximo passo será modificar geneticamente embriões de antílopes modernos para reproduzir essas características em um novo animal híbrido.
O processo deverá envolver o uso de barrigas de aluguel, que carregarão os embriões geneticamente editados até o nascimento.
(Imagem meramente ilustrativa/Gerada por IA/Créditos:Image-fx)Tecnologia utilizada também pode ajudar espécies ameaçadas
Além da tentativa de recriar o antílope-azul, os pesquisadores afirmam que as tecnologias desenvolvidas poderão beneficiar programas de conservação animal em andamento.
A empresa conseguiu transformar células adultas de antílopes em células-tronco pluripotentes induzidas, conhecidas como iPSCs.
Esse tipo de célula possui capacidade de se transformar em praticamente qualquer tecido biológico, permitindo testes genéticos sem necessidade de utilizar animais vivos durante parte das pesquisas.
A diretora científica da Colossal Biosciences, Beth Shapiro, afirmou que essas técnicas podem ser fundamentais para proteger espécies criticamente ameaçadas de extinção.
Atualmente, especialistas alertam que cerca de dois terços das espécies de antílopes do planeta apresentam redução populacional, enquanto mais de 25% enfrentam algum grau de ameaça.
Projeto de desextinção divide opiniões entre cientistas
Embora os avanços tecnológicos sejam considerados impressionantes, o conceito de desextinção continua gerando debate dentro da comunidade científica.
Alguns pesquisadores defendem que os recursos deveriam ser direcionados prioritariamente à proteção de espécies ainda existentes e seus habitats naturais.
Outros cientistas acreditam que as ferramentas desenvolvidas nesses projetos podem representar um avanço importante para genética de conservação, reprodução assistida e preservação da biodiversidade.
A Colossal Biosciences afirma que pretende criar uma ampla biblioteca genética com DNA de espécies ameaçadas para auxiliar futuras iniciativas de recuperação populacional.
Enquanto a ciência avança rapidamente na engenharia genética, a possibilidade de recriar animais extintos levanta uma questão cada vez mais atual: até onde a humanidade deve ir na tentativa de reverter perdas causadas pela própria ação humana?
Fonte: Colossal Biosciences




